O Túnel – Ernesto Sabato

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O Túnel conta a história do pintor Juan Pablo, que confessa ter assassinado María, uma jovem pela qual desenvolveu grande obsessão, após perceber que ela passou alguns minutos fitando um detalhe em um dos seus quadros, ele começa a acreditar que ela seja a única pessoa que o compreende, pois até então ninguém que estava na exposição, demonstrou notar este detalhe.  Mas logo o amor de Juan Pablo vai sofrendo “mutações” a cada gesto de María ele passa a desconfiar ou suspeitar ela possa o estar traindo, e aos poucos o que era amor começa a se transformar em ciúmes obsessivos, até chegar ao desfecho trágico.

A parte simples do Livro é que ele flui de forma rápida e a narrativa é quase toda linear, porém O Túnel oferece uma grande complexidade, parece que foi escrito em penumbra, nenhum olhar ou gesto que parte de María é factual, tudo ali é interpretado pelo olhar ciumento e desconfiado de Juan, não oferecendo assim ao leitor uma certeza sobre o fato de María ter traído ou não. E para contribuir com esta dúvida Sabato vai tecendo uma narrativa com um tênue equilíbrio, quando Juan conta que María visita constantemente um primo do marido dela, que Juan Pablo sabe ser um homem de má fama sobra espaço para o leitor achar que ela está o traindo, mas voltamos à estaca zero no momento em que ele reafirma ter ciúmes excessivos em relação a ela.

Esta forma do livro ser narrado foi o grande fator que me manteve interessado neste livro, e me fez ler lê-lo em dois fôlegos, queria fechar o livro somente no momento em que eu pudesse ter uma certeza se existiu uma traição ou não por parte da personagem, e esta constante tensão a cada novo gesto ou olhar me mantinha preso tentando analisar e formar uma opinião final.

Muito além de uma crônica sobre o amor e seu fim o livro deixa clara a grande prisão que é ser amado por alguém ciumento, sem usar algemas ou estar dentro de uma cela, a pessoa sempre estará presa a alguém que só consegue interpretar seus olhares e gestos sob o prisma da obsessão, não importa se María olhasse para o lado por se sentir ferida e incapaz de olhar para Juan após ela tê-lá ferido, o que ele sempre vai acreditar é que ela olhou para outro lado em busca de  fitar outro homem.

Com este presente mais que querido, marco meu retorno, ao me interessar pelas literaturas espanhola e latina.

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3 respostas em “O Túnel – Ernesto Sabato

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