Tempo é Dinheiro – Lionel Shriver

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Muitas pessoas têm sonhos, mas incrivelmente vive procrastinando para realizá-los, este é o caso de Shep Knacker, que durante toda sua vida ele economizou, para que um dia pudesse se aposentar e viver em um país de terceiro mundo, onde o custo de vida seria mais barato. Porém quando ele finalmente decide ir embora descobre que sua mulher Glynis tem um câncer raro, e irá precisar do seu seguro de saúde, e mais importante do seu apoio.

É claro que Shep decidiu ficar, faz parte da personalidade do personagem ser sempre gentil e politicamente correto, o que acaba tornando o personagem um tapa buraco dos outros personagens, alguém que sempre será o responsável. Ao longo da trama há uma imensa variação de situações em que eu, como leitor me sentia tentado a gritar CHEGA DE SER BONZINHO, JOGA TUDO PRA CIMA E DEIXA QUE OS OUTROS SE VIREM, por exemplo, a irmã dele, que vive lhe pedindo empréstimos, mas nunca paga, e se recusa a cuidar do pai adoentado.

Encontrei vários personagens totalmente interessantes; Jackson que constantemente procura extravasar sua raiva falando horas sobre como a população é “sugada” pelo governo; sua mulher Carol que sempre procura cuidar das filhas do casal; Flicka que sofre de uma doença rara e degenerativa, e sua irmã mais nova. O melhor disso é que Shriver soube como explorar os personagens de forma, que cada uma representa uma peça importante na hora de construir o desfecho do livro, e não como animais exóticos para serem expostos.

Os capítulos do livro são variações entre a vida de Glynis e Shep, e Jackson e Carol, é possível diferenciar sobre quês personagens o capítulo irá abordar, pois os capítulos sobre Shep e sua família sempre tem no começo uma versão do seu extrato. Esse artífice ajuda a autora a ilustrar o título ao criar um panorama de quanto vale uma vida, ou melhor, quanto vale manter Glynis viva, é claro que com base neste mesmo detalhe Lionel mostra de forma denunciadora a falta de assistencialismo médico, e como os seguros de saúde têm a petulância de transformar a vida de alguém em cifrar de dinheiro.

Isso torna o livro seja totalmente realista e poderoso é que simplesmente não há mudanças. Explicando melhor os personagens não ao dar um giro de 360º graus do dia para a noite, pelo contrário a mesmo a Glynis que conhecemos sendo ácida e fascinante continuará sendo a mesma de sempre, todas as mudanças nos personagens levou tempo. Isso é muito bom, pois não houve perda de identidade dos personagens, exemplo: ninguém é mal humorado de noite e acorda cedo amável. Acredito que é por que estas mudanças não são da noite para o dia que a autora usou 460 páginas para criar um final totalmente encantador e realista.

Para mim a melhor parte de Tempo é dinheiro é o fato de ele ter me favorecido ao acumular mais uma experiência, sem com isso precisar sair do comodismo do sofá, ou mesmo ter pensado de forma egoísta “ainda bem que não é comigo”. Mas mesmo assim é inevitável sair com certo incômodo, pela capacidade da autora de criar situações reais e tensas. Lembrou-me uma tempestade no meio de um grande escuro ainda podemos visualizar luzes e beleza, em momentos rápidos e belos como relâmpagos.

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2 respostas em “Tempo é Dinheiro – Lionel Shriver

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