As Mulheres do Meu Pai – José Eduardo Agualusa

josé agualusa

 

Escrever um livro onde tudo irá girar em torno de um personagem fascinante pode ser, muitas das vezes, um tiro no pé, já que se o personagem não for tão fascinante para o leitor quando o foi para o escritor o livro pode se tornar uma trama bem maçante. É óbvio que fiquei muito feliz ao acabar o livro e notar que Agualusa não cai neste erro no seu romance as mulheres do meu pai.

O romance conta a história de Laurentina, filha de pais africanos mas que mora em Portugal, quando a mãe dela morre deixa uma carta a ela dizendo que Laurentina é filha de Faustino Manso.  A personagem então descobre   que Faustino acabou de falecer deixando sete mulheres e dezoito filhos.  Ela decide viajar a África e filmar um documentário sobre a vida de Faustino, e assim consequentemente tentar descobrir quem foi seu pai, e mais sobre sua própria história, por meio de uma viagem pelo sua do continente africano partindo de Angola com destino a Moçambique, gravando depoimentos sobre as história do seu pai e de suas várias mulheres. Junto com Laurentina está Pouca Sorte, motorista de uma espécie de táxi, Mauro; um primo recém descoberto de Laurentina, Mandume o namorado de Laurentina.

Como eu disse um dos grandes méritos do autor foi   que dentro do livro não está somente em jogo a vida de Faustino Manso, pelo contrário entre a gravação de um depoimento ou outro o autor vai dando detalhes de como é os outros personagens, junto a isso foi sendo criado algumas sub tramas com personagens, ou histórias que aparecem e somem rapidamente deixando assim a história muito bem equilibrada.

Dentro da história temos vários narrados, estilos textuais (cartas, diários, depoimentos,) com capítulos bem curtos e gírias angolanas, mas isso não torna a história complexa, pelo contrário durante todo o livro o ritmo se mantém rápido e fácil de acompanhar, que por sinal me viciou a ponto de eu ler uma média de 50 páginas, ou mais por dia.

O livro vai além, muito além de uma história sobre a Vida do músico e compositor Faustino, enquanto os personagens viajam e ouvem histórias sobre ele vão sendo interligados reflexões sobre suas próprias vidas e identidade.  É nesta forma que as mulheres do meu pai ao mesmo tempo em que o leitor vai conhecendo a vida dos personagens, também vai se deparando com um imenso painel do continente africano, não somente em personagens, mas em descrições das cidades, forma como se vive.

Cheguei ao final e me toquei que o livro não é somente sobre os personagens que nele aparecem, é uma grande construção que Agualusa faz, para dar ao leitor dimensões e noções de como é o continente africano, por meio de histórias insólitas e encantadoras. O que entra em jogo é a capacidade do autor de dar ao leitor um panorama da vida no continente africano, e isso ele faz com maestria.

 

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4 respostas em “As Mulheres do Meu Pai – José Eduardo Agualusa

  1. Depois de sua resenha, vou ler. Já li outro de Agualusa e gostei muito, mas às vezes tenho medo de ler o mesmo autor com muita frequência, não só enjôo, como comparações são inevitáveis; Excelente resenha.

  2. Entre todas as obras que tive oportunidade de ler, a “Biografia do Lingua” é, sem dúvida, o trabalho mais belo do Autor. Agualusa promove uma verdadeira declaração de amor à nossa maltratada língua portuguesa, viajando pelas palavras com a mesma facilidade com que viaja entre os países de língua portuguesa, recolhendo palavras, costumes, significados e neologismos com uma fluência que jorra naturalmente de suas frases admiráveis.Livro de leitura obrigatória!

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