Para cima e não para norte – Patrícia Portela

Norte

Para cima e não para o norte é um livro que desde o seu começo exige de que o lê uma mente aberta, se o leitor não se deixa levar e fica tentando dar uma lógica, ou tom mais realista a história dificilmente irá ler este livro. O personagem principal é um Homem Plano, que vive no universo 2D, onde tem sua própria casa, família, trabalho, enfim seu próprio mundo.

Um dia andando por um livro o Homem Plano se depara com uma impressão digital, que a princípio ele acreditar ser uma letra desconhecida, mas após reflexões e pesquisas ele descobre existir um mundo diferente do dele, um mundo 3D. É então que o personagem se sente incompleto, e também almeja ser um ser em 3D e viver com tendo mais esta dimensão.

Ele apresenta a sua teoria ao resto do mundo plano, de que existe mais uma dimensão, e acaba sendo preso as na prisão ele aprende um tipo novo de leitura (a ler nas entrelinhas). Após sair da prisão ele volta a sua casa e descobre que foi abandonado pela sua mulher e seu filho, a partir daí ele decide então que quer   viver no mundo 3D, e passa a tentar com todas as suas forças a se tornar um ser em 3D.

Um dos momentos que mais me marcou no livro é quando o Homem Plano lê sobre uma aula de anatomia e vai vendo quantas coisas existem em um corpo de um ser humano em 3D (pele, órgãos, gordura, músculo e etc.), e quando ele vê isso e compara ao seu corpo que é feito somente por retas, e por mais que se tire camadas continua a ser retas. Este trecho me fez pensar por alguns minutos em o que exatamente é a “nossa vida”, e aqui falo além do papo piegas ou de crises existências, o que me deteve por alguns minutos (e não consegui chegar a conclusão nenhuma que fosse minimamente satisfatórias) é o que nós faz diferentes dos outros seres?

A busca do Homem Plano é comovente, acredito que dentro do texto o 3D tanto poderia facilmente simbolizar a felicidade quanto um sentido, ou qualquer outra coisa que dê um sentido, ou ponto de sustentação a vida de qualquer um.

Vale ressaltar também que por melhor que a história seja pelo menos um terço, ou diferencial, dela é a diagramação; onde a autora usa vários exemplos e variações das formas gráficas para dar ao leitor ideias e exemplos do que está dizendo, ou tentando dizer.  No final o que me deixa maravilhado enquanto leitor é como tudo isso funciona, tal como uma máquina cheia de parafusos e engrenagens tem um resultado harmonioso, é desta forma que ler Para Cima e Não para o Norte se trona uma experiência não só divertida como visualmente prazerosa.

 

 

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3 respostas em “Para cima e não para norte – Patrícia Portela

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