Pantaleão e as Visitadoras – Mario Vargas Llosa

visitadoras

Minha relação com os livros do Vargas Llosa sempre foi ruim, li dois livros do autor e reconhecia a boa técnica, mas não sentia um pingo de empatia, ou vontade de ir até o fim (mas fui, me obriguei e fui), porém decidi dar uma outra chance visto que o enredo do livro Pantaleão e as Visitadoras é muito interessante e inusitado afinal não é todo dia (e menos ainda em todo livro) que um capitão do exército recebe uma missão tão inusitada.

Baseado em acontecimentos reais, o livro conta a história de Pantaleão Pantoja, um capitão do exército peruano com grande eficiência administrativa. Ele é encarregado pelo exército de criar um serviço de Visitadoras (prostitutas) para servir as necessidades do soldados, pois antes disso eles vinham causando grandes problemas quando saiam de folga, eles violentavam sexualmente   várias mulheres, inclusive casadas.

Pantaleão é então enviado em missão secreta para Iquitos, sem que nem sua mãe e nem sua esposa que moram junto com ele possa saber qual sua real missão, mas em pouco tempo as prostitutas recrutadas não conseguem dar conta da demanda de serviço, é pouco a pouco vai sendo aumentado o número de prostitutas que trabalham no serviço de Visitadoras. Além disso Pantaleão tem que lidar com gente de dentro do exército que não concorda com o serviço de Visitadoras, pessoas da cidade querendo lucrar a troco de chantagem e de complemento esconder tudo isso de sua mãe e de sua mulher.

Porém pouco a pouco o que era para ser um pequeno grupo de Visitadoras se torna uma das maiores redes de prostituição da época, o livro se passa no final da década de cinquenta no Peru.  Não somente o Serviço de Visitadoras, mas tudo ali vai crescendo de forma gradativa; a seita, a tensão que a cidade vive, a vida do capitão Pantoja, até que se chegue de catástrofe que se anuncia desde as primeiras páginas.

A narrativa flui de forma muito veloz e viciante, ao contrário dos dois outros livros que li dos mesmo autor, e me prendeu a atenção todo o tempo. O interessante é que o autor não escreve sobre o tema de forma nojenta, ele soube dar um distanciamento certeiro, isso foi feito usando várias formas de escritas diferentes; relatórios, cartas dentre outros, porém é um recurso de mão dupla pois enquanto se distância o leitor de um ambiente mais asqueroso também o deixa distanciado o suficiente para que falte uma empatia com qualquer um dos personagens. Se o livro flui rápidos os diálogos, que acontecem dois ou mais de forma simultânea, torna primordial que se leia com atenção.

Em suma é m livro interessante e divertidíssimo, porém não me deu grande empatia. Mas mesmo assim recomendo o livro, pro acreditar que ele é melhor que os outros dois que li do autor até agora, se não por isso que seja pelo simples fato de que qualquer livro que me faça fazer as pazes com seu autor deve ser lido.

 

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