Ninguém Escreve Ao Coronel – Gabriel García Márquez

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Em uma cidadezinha vive um Coronel, e sua mulher asmática e um galo, em uma extrema pobreza, este Coronel espera a carta da sua aposentadoria, e toda semana se arruma e vai aos correios esperar por ela, mas ela nunca vem. O galo é herança do filho morto do Coronel. É basicamente este o resumo do livro Ninguém escreve ao coronel de Gabriel García Márquez, um livro incrível em que o autor não usa uma das suas marcas registradas, o realismo fantástico, mas nem por isso inferior ao seus outros livros.

Em noventa e cinco páginas o leitor vai acompanhando a miséria em que este Coronel vive, juntamente com sua mulher e o galo, ele constantemente se vê sem comida, nem mesmo para a próxima refeição, mas mesmo assim o Coronel insiste em manter a sua dignidade e acreditar que de uma hora para a outra a dita carta chegará, e ela nunca chega.  É graças a esta mesma dignidade que ele se recusa a vender o galo pois acredita que em breve ele se tornará um galo de rinhas, enquanto isso ele vende coisas da casa para comer, até chegar a um ponto que não dá para vender mais nada.

Dentro desta trama a mulher do Coronel representa um contraponto incrível, se por um lado ele finge não ver a situação com uma visão realista a sua mulher o faz, é por meio dela e de suas queixas que o incômodo da pobreza, da falta da comida e a urgência de uma atitude a ser tomada ante esta situação se faz presente na vida deles.

Mesmo que o Coronel não procure enfrentar a situação de frente, ela se faz presente e necessária de ser resolvida com urgência, afinal o que está em jogo não é mais a chegada da carta e sim a sobrevivência dele e de sua mulher. Por mais que ele não procure ver que a coisa está realmente ruim ela se faz presente em sua vida em forma de necessidades, revelando assim o descaso com o qual o governo trata algumas pessoas.

Mesmo sem usar o realismo mágico, que seria quase uma assinatura do seu estilo, García Márquez consegue criar uma obra prima sobre a miséria, uma importante lição de que por mais que se tenha dignidade, frente a uma necessidade ela  pouco serve para a sobrevivência, afinal quem pode se dar ao luxo de ser digno enquanto se passa fome?

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