As Teorias Selvagens – Pola Oloixarac

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O romance de estreia da autora argentina Pola Oloixarac tem tudo o que eu gosto em um livro; história diferenciada, várias referências que muitas vezes não são uteis dentro da trama, personagens estranhos dentre vários outros pontos, porém alguns pontos neste livro façam com ele não seja um dos livros mais apreciados pelas pessoas. Não acredito que eu tenha menor ou maior bom gosto, só um gosto diferente dos demais.

 Em As Teorias Selvagens Pola Oloixarac intercala duas histórias, sem que em momento algum um toque na outra. De um lado temos   capítulos que são narrado em primeira pessoa, por uma estudante de filosofia que persegue o   professor Augusto García Roxler pela faculdade, tentando o encurralar, por acreditar que ela pode melhorar e aperfeiçoar, na onde ele errou, uma teoria dele que explicaria tudo.  Paralelamente a isso temos em outros capítulos a história da menina Kamtchowsky e Pabst (cujo nome original é Pablo), que se unem por causa das suas falta de beleza, que eles compensam sendo inteligentes, mais tarde a este núcleo serão acrescentados Mara e Andy.

Por um lado a narrativa quando fala de Kamtchowsky e Pabst assume um tom mais grave e sério como só os adolescente podem ser algumas vezes, mesmo que o que eles estejam fazendo não seja nada que poderá mudar o rumo do mundo, pelo contrário neste sentido eles tem interesses como qualquer adolescente de hoje, cinema experimental, vídeo game, drogas e sexo.  Sempre se levando a sério e/ou agindo como se fossem os donos da razão.

Já por outro lado onde a história é narrada em primeira pessoa pela estudante de filosofia, que em nenhum momento temos o nome dela revelado, adota um tom mais bem humorado, e consequentemente bem menos sisudo. A personagem oscila entre momento de grande segurança comportamental e intelectual, e momentos em que o estranho e acidental invadem a história, sem que   mesmo assim existe um grande desequilíbrio ali em momento algum.

As sub-tramas são os momentos onde dentro das 240 páginas a autora pode mostrar toda a sua excentricidade e referências culturais bem aprofundadas a tia de Kamtchowsky escrevia um diário em formas de cartas a Mao Tsé- tung em pleno regime ditatorial na Argentina.  Já a outra história tem como pano de fundo momentos da vida do pesquisador Johan Van Vliet, que criou as bases da teoria em que o professor Augusto García Roxler tenta se aprofundar, mas falhou.

É nesta mistura de referências e histórias que são retratos dos tempos atuais que Pola acha a base para fundar seu romance de estria, um livro que tem tudo para ser uma grande obra, porém a autora deixa a desejar em dois aspectos; o primeiro é a linguagem, que  muito provavelmente é um bocado complexa, e em vários momentos não flui, e o segundo é os vários links que a autora faz com o que está acontecendo com teorias, que muitas vezes não levam a nada, ou simplesmente são cíclicas, começam quando acontece algo com um personagem e acabam voltando nestes mesmo personagens sem que em nada os tenha afetado.

Mas se forem deixado de lado estes dois pontos o romance é considerado por mim, uma obra extremamente divertida, mesmo que eu entenda quem não achou o livro digno de interesse, ou quem o leu o ache chato.

 

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