As Brasas – Sándor Márai

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Quanto vale a sua integridade?  Para mim esta é a questão chave do pequeno, porém incrível romance As Brasas do húngaro Sándor Márai. Em um castelo na Hungria um general espera um convidado que irá chegar para o jantar, os dois não se veem desde 1899, a quarenta e um anos, quando Konrad, o convidado partiu para os trópicos e com isso encerou a amizade dele com Henrik, o anfitrião.

No passado ambos forma grandes amigos, compartilhando desde o mesmo quarto da escola até aventuras e passando as férias juntos, o autor explora as nuances da personalidade de cada um dele dentro do espaço do livro que usa para descrever   a amizade dos dois criando contrastes interessantes e que se complementam entre si, enquanto Henrik é rico e frágil e sem nenhuma inclinação para as artes Konrad aprecia as artes em especial a música, se mantém sempre em silêncio e ao contrário de seu amigo não costuma caçar, e não é tão rico quanto Henrik.

Por volta do meio do livro, que é curtíssimo sendo somente 172 páginas de uma narrativa deliciosa, o leitor vai sendo informado de como esta amizade acabou, e para Henrik o que resta dela é uma imensa necessidade de durante este novo encontro descobrir aquilo que ele acredita ser a verdade sobre o que aconteceu e é por meio de um monólogo com um raciocínio profundo e sempre especulativo ele tenta achar estas verdades.  Konrad por sua vez pouco fala e prefere o silencio do que ficar criando suposições e teorias sobre os fatos.

A presença de Kriztina, mulher de Henrik que morreu de uma doença, paira como um fantasma dos velhos tempos, quando os três ainda eram jovens e todos amigos, é nesta personagem também que se encontra uma das rachaduras causada na sólida amizade de Henrik e Konrad, mas ela não é um fator exclusivo para o fim desta amizade.

Kriztina é pobre e de alguma forma tem medo do que pode pensar então compra um diário e o mantém para que ela possa escrever sobre suas pensamentos seu marido possa ler para conhecê-la melhor e de forma mais confiável. Porém ao nos aproximarmos do fim da narrativa paira uma dúvida no ar ela quem traiu um e após isso o outro ou será que ela teria sido traída por Konrad é Henrik?

Quando eu digo que a integridade de Henrik está à venda, é por que ele perde seus pais, após isso, perde Konrad e após ele Kriztina, quando não tem mais ninguém para que ele  viva e seja fiel, Henrik se torna obsessivo ao acreditar que foi traído e que existe uma verdade a ser descoberta, e ele prefere acreditar que foi traído e se prender a isso como novo eixo da sua vida do que ficar em dúvida mesmo que por menor que seja, dentro deste encontro ele acredita achar respostas, mas seu antigo amigo não pretende dissolver o nó que são as suas dúvidas em relação a estes acontecimentos do passado.

No fim das contas, ou melhor das páginas, As Brasas é um maravilhoso romance sobre amizade e também sobre as relações humanas, Márai consegue cativar com uma linguagem que não deve ser somente lida mas também degustada aos poucos. A Impressão que fica é que o autor pegou a minha mão e me levou para passear por um Hungria bela e fascinante, que me seduz, quando ganhei este livro de uma amiga ela disse que era a minha cara, fico feliz ao imaginar que poderia ser tão refinado e belo quanto as brasas.

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