Tarja Preta – Jorge Furtado, Adriana Falcão, Luiz Ruffato, Isa Pessôa, Pedro Bial, Márcia Denser, Jorge Mautner

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Quando pensamos em alguém que toma o remédio tarja Preta já associamos a ideia de que a pessoa é desequilibrada em maior ou menor grau, ou que na vida dela existe um determinado nível de confusão não resolvidas que acabou por levar a pessoa a tomar este remédio, já que é um remédio prescrito por psiquiatras, mas não é somente desequilíbrio que faz com que os personagens desta antologia de contos usem Tarja Preta.

O remédio é um dos pontos em comum em todos os contos do livro Tarja preta, mas não o único ele de ligação entre histórias tão distintas de autores diferentes, no primeiro conto Frontal com Fanta de Jorge Furtado o personagem tomou tarja preta e acredita que ficado invisível, e isso serve de gatilho para ele ir tomando algumas atitudes que o levam a ser internado e conhecer o amor da sua vida.

No segundo conto, e em minha opinião o melhor do livro, escrito por Adriana Falcão Serial Killer conta a história de uma assassina de neurônios, o conto se passa em um dia onde esta mulher viciada no uso de remédios controlados os consome vorazmente na tentativa de levar sua vida sem o homem da sua vida, mas pelo contrário o conto não cai na tentação de ser uma história de coitadinha, ele envereda pelo humor escancarado tento como forma de escrita diálogos entre ela e seu próprio cérebro.

O terceiro conto é de um autor que eu já não gosto desde que li um livro dele, Sem remédio de Luiz Ruffato conta uma história de uma dona de casa que vive infeliz com seu marido e seu casamento que está se deteriorando, realmente   por ter lido a algumas semanas, e também por ser uma história tediosa não lembro muita coisa, lembro porém que não gostei do autor seguir aqui a sua linha do personagem coitadinho e oprimido pela vida cruel (resta saber para quem ela não o é).

A noite é o quarto conto, e a estreia, muito boa aliás, da jornalista Isa Pessôa na ficção, o conto se baseia em uma colunista social de um jornal que acorda após ter tomada tarja preta e não consegue se lembrar do que fez na noite anterior, pequenos fragmentos de memórias vão sendo mesclados com a narrativa do seu dia, tudo isso de uma forma simples e pouco confusa,  este conto não tem nada do tipo genial, mas dá para se notar que a autora consegue escrever bem criando sua própria identidade textual para quem  está pela primeira vez na ficção.

No quinto conto, Dondon Experiência, é onde o tarja preta aparece de forma mais sem graça, também esperar o que de Pedro Bial se ele não consegue se fazer interessante antes de sapiente? neste conto    o remédio aparece somente como nome de um dos jogadores, de um time de jogos de botões criados quando o personagem era menino e agora já está de idade ( se você está se perguntando quem joga  futebol de botões, e ainda decide nomear seus jogadores com nomes de remédios, ou  mais profundamente; que autor decide escrever um conto com este enredo, pergunte ao Bial, afinal eu tento responder somente  pelas minhas incoerências).

O quinto elemento além de sexto conto é também uma auto ficção da autora Márcia Denser falando sobre sua vida e os pontos entrelaçados entre ela e Daiana Marini, um alter ego dela que passou pela maioria dos escritos da autora, apesar deste conto fluir e ter seus pontos bons, não me chamou muita atenção, tampouco me fez pensar em que chatice quanto os contos do Bial e do Ruffato.

Por último e não menos interessante Química da ressureição de Jorge Mautner tem como pano de fundo um casal que em meio à crise do seu casamento decide ir a um psiquiatra e ele dá um remédio ao marido, mas isso é só ponto de partida a uma mirabolante e inventiva história.

Tarja preta é uma coletânea que merece ser lida, de sete contos quatro são bons, um médio, e dois ruins, mas nada do tipo imensamente ruins, além disso o tamanho também ajuda somente 176 páginas em alguns momentos viciantes, mas nada que beire a desgraças pesadas o tom do livro como um todo vai mais pelo no sense, enfim recomendo.

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