Nadando de volta para casa – Deborah Levy

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Muitas pessoas tem uma grande gama de lembranças, desejos ou traumas que se não são reprimidos, no mínimo será abafado ao longo do tempo, e é claro é possível viver com eles muito tempo sem ter que os confrontar, mas mesmo assim eles existem e estão ali como pequenas fissuras que se formam na redoma de satisfação que estas pessoas criam para sua vida presente, mas em algum momento surgirá algo que   fará com que estas fissuras se abram mais ameaçando assim a estrutura desta redoma de conforto de ruir, e é isso que ocorre em Nadando de Volta para casa de Deborah Levy.

O poeta britânico Joe aluga uma casa na Riviera francesa, e para lá vai passar alguns dias juntamente Isabel (sua mulher), Nina (sua filha) e um casal de amigos Laura e Mitchell, mas ao chegarem na casa encontrar uma mulher ruiva nua flutuando na piscina da casa. Esta estranha é Kitty Finch, uma jovem poeta que admira Joe e quer mostrar a ele seu poema, e logo é convidada para se hospedar na casa junto com eles. A história não se prende somente a casa nela irá parecer personagens secundários como Jurgen o caseiro, Claude o dono de um café na cidade, Madeleine uma médica que mora vizinha a casa alugada, e pôr fim a dona da casa uma importante psicanalista que só ouvimos falar.

A história se concentra nos oito dias em que Kitty estará hospedada na casa junto com a família de Joe e seus amigos, Joe tem seu casamento em crise, Laura e Mitchell estão à beira da falência de sua loja de antiguidades, Isabel compensa sua frustações do casamento trabalhando e Nina está entrando no período de se descobrir sexualmente, tudo isso que até então não é dito nem canalizado pelos personagens começam a vir a superfície de suas vidas após o estranho aparecimento de Kitty.

Para que se compreenda o papel desta estranha dentro desta narrativa vou propor o seguinte exercício; imagina que   Kitty é a água que está dentro de uma piscina, os outros personagens são objetos que até então estavam fora da água, ao escrever o livro Deborah os joga  na água, e é ai que começa o efeito Kitty sobre eles, estes objetos em contado com a água perderão sua estabilidade que tinham em terão firme (conformação, resignação), afundarão ou boiarão (capacidade de resiliência de cada um frente as situações diferentes a que agora estão submetidos), se locomoverão  conforme outros fatores além da água (capacidade  de enxergar sua insatisfação e fazer algo para mudar de estágio/vida) dentre vários outros efeitos.

Em menos de 200 páginas, o romance tem 160, Deborah cria uma trama oblíqua, onde o não dito tem um grande peso e a ordem que reina subtendida é movimente-se, não importa o quanto nem o porquê. Além de tudo Nadando de volta para casa é um livro que me intriga e me atrai, afinal dizem que bons livros são os que ficamos pensando mesmo dias após a leitura e é isso que ocorreu comigo.

Ainda em tempo o livro foi finalista do Man Booker Prize de 2011, eleito livro do ano pelo New York Times Book Review.  (Acredito que exista uma grande semelhança entre ele e o também ótimo Por acaso de Ali Smith, se alguém tiver lido ambos também comente aqui se é só em mim que fica uma impressão de que são muito parecidos.).

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Uma resposta em “Nadando de volta para casa – Deborah Levy

  1. Ótima resenha. Gostei de ver que o livro causou impressão em você. Também gostei muito dele. Intrigante como você mesmo diz. Parabéns, gostei da análise.

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