O Deus das Pequenas Coisas – Arundhati Roy

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Existe um grande números de livros em que os autores adotam o olhar de crianças para   narrar uma história, e este mesmo olhar reflete uma forma diferente de narrar, pois por exemplo uma história pode ser narrada de forma completa pelos olhos de uma criança, mas sem que o narrador personagem perceba as nuances ali, e o leitor ao contrario pode perceber mais facilmente.  É deste olhar, e respectivamente do estranhamento que ele causa que a autora Arundhati Roy abusa em seu livro de estreia O Deus das pequenas coisas, e quando digo que abusa não estou falando como elogio, mas sim que ela achou uma zona de conforto e a explorou até beirar em muitos momentos, para mim, o irritante.

A história que se passa na região de Kerala, no sul da índia é lá que os gêmeos Estha e Rahel vivem juntamente com sua mãe Ammu, seu Tio Chacko, sua tia Avó Baby Kochamma e sua avó Mammachi.  A família deles possui uma fábrica de geleia de frutas e pertencem a uma espécie de burguesia.  Mas o espaço familiar está repleto de pessoas com seus próprios dramas e tristezas; Ammu é mãe solteira, Chacko estudou na Inglaterra e todos esperavam que tivesse um futuro promissor, mas não o tem, a avó era constantemente alvo de violência doméstica antes da morte do marido, agora é cega – um episódio não está ligado ao outro. Apesar disso tudo a única personagem que é essencialmente má e ruim é Baby Kochamma, os outros personagens não são ruins ou maus, porém muitas vezes estão tão centrados nas suas próprias dores e infelicidade que acabam tendo atitudes que poderiam ser interpretadas como ruins.

Ao longo de 342 páginas Arundhati vai descortinando uma índia emergente onde pequenos avanços de tecnologias e ideologias vai contrastando com uma mentalidade datada e profundamente presa em valores que muitas vezes não são tão corretos a se prender, uma índia que se constitui território ambíguo, e é neste contraste que se cria uma trama exótica; momentos de beleza e delicadeza vs sujeira da geografia urbana, mentalidade tradicional vs abertura a globalização no mercado e etc.

Outra escolha da autora que acredito ser um território meio batido em literatura é a escolha de uma tragédia como epicentro da narrativa, tudo bem que a literatura deve reproduzir a vida, mas   não se justifica a literatura tornar a vida redundante. É claro que acredito que existe vidas que podem girar completamente em torno de uma tragédia, mas ai está o erro a autora, ela só desenvolve cuidadosamente a trama até o momento trágico, após isso a vida dos personagens viram quase flash backs mínimos, lembrando bem mais um esboço do que um romance. Somado a isso e a lentidão com que a leitura fluiu para mim não recomendaria este livro.

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