Plataforma – Michel Houellebecq

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Uma das minhas grandes dificuldades em pensar sobre um livro que acabei de ler é se o livro trata de um tema polêmico de forma sensacionalista ou se o autor escolheu aquele tema com intuito de trabalhar de forma séria com ele, de forma a abrir espaço para debates conversações sobre ele. Isso é algo que acontece com uma constante frequência pelo fato de que eu adoro livros estranhos ou com temas inusitados e/ou bizarros.

Este era um dos grandes enigmas que rodeavam minha ideia de o que me esperava em Plataforma, do autor francês Michel Houellebecq. O livro conta a história de Michel, um burocrata que trabalha no ministério de Cultura francês, sua vida não tem grandes paixões e ele vive sozinho, seu único vício é peep-shows, mas após a morte repentina do seu pai ele decide tirar férias e ir em uma excursão para a Tailândia, durante esta excursão ele conhece Valérie, por quem irá se apaixonar e viver um caso de amor, mas não somente ela que ele conhece nesta viagem, ele também passa a conhecer a rota do turismo sexual.

Após voltar da sua viagem ambos passam a viver juntos e mantém um caso de amor, e sobretudo de grande atração sexual. Valérie é uma importante funcionária de uma agencia de turismo e teve uma carreira com rápida ascensão, o que provoca um convite para que ela e seu colega de trabalho Jean- Yves trabalharem na reestruturação de uma rede de resorts que não estão dando lucros.

Em síntese está é a trama que se passa ao longo das 383 páginas do livro Plataforma, mas não é tão simples quanto parece ser, quem conhece minimamente o nome de Michel Houellebecq sabe que ele é    intimamente ligado a polêmicas, e é nesta direção que o livro vai, segura e velozmente, propondo ideias em situações que requer uma abertura muito grande do leitor para temas desta tipo. Mas isso não quer dizer que este seja um livro amparado somente em polêmicas, aliás o texto de orelha   faz com que o livro parece bem mais bombástico do que ele realmente é. Já em se tratando do autor ele narra em primeira pessoa de forma simples e direta com tranquilidade e com algumas ideias muito boas (Só para constar não sublinhei nada deste livro, ao contrário do que faço em alguns e-books, para não ter que sair apagando depois).

A narrativa de forma simples não quer dizer que o autor seja tolo, ou não domine plenamente aquilo que está descrevendo ali, pelo contrário o autor fala facilmente e de forma acessível de temas que vão desde o turismo sexual, passando pelo islamismo e indo a relações amorosas.

O livro que flui de forma rápida e clara, faz uma crítica contundente a sociedade contemporânea, e o modo como agora se vive, de forma delicioso Michel (o autor) nos faz pensar sobre o mundo em que vivemos, com um estilo elegante e altamente inteligente, constrói calmamente uma crítica ao Islã.

Uma nota: li em uma resenha sobre este livro que críticas ao Islã   passou a se tornar território comum agora portanto o final do livro não seria lá grande coisa, isso soa altamente desinformado já que; o livro foi lançado em 2001, e somente após os atentados de 11 de Setembro de 2001 a maioria do mundo ocidental passou a estar alerta sobre o perigo que é um regime fundamentalista como é o caso do Islã, ou seja daí pode-se concluir que o autor falou sobre o tema Islã quando ele ainda não era exaustivamente explorado e criticado quando o é hoje, o que para mim deixa claro que não foi só uma forma de culpar o Islã, mas contextualizar  uma atitude que não seria impossível ser tomada por este grupo, não sendo assim um final puramente sensacionalista ou lugar comum. Pelo contrário muito apropriado e bem aproveitado como alerta.

 

 

 

 

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