Onde os velhos não tem vez – Cormac McCarthy

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Como sempre começo falando o que me fez escolher determinado livros, vamos lá; os motivos são simples, trama atraente e o simples fato do autor já ter ganhado os prêmios Faulkner Award, National Book Award e National Book Critics Circle Award, afinal qualquer leitor que se guia por prêmios ou livros elogiados pela crítica já fica de antena em pé só de ouvir um destes prêmios, todos estes no currículo de um mesmo autor então nem preciso dizer.

No deserto entre Texas e México, nos anos 80, o caçador Llewelyn Moss encontra um carro, cheio de tiros, e com homens mortos, além disso dentro deste carro está um carregamento de heroína e mais de dois milhos de dólares. Moss pega o dinheiro e foge, mas após ele ter pego este dinheiro passa a ser perseguido pelo frio assassino Anton Chigurh, que tenta recuperar o dinheiro, este por sua vez passa a ser seguido pelo xerife Bell, que é o xerife do local onde o crime aconteceu.

Em 252 páginas é narrada uma perseguição cheia de violência, suspense a adrenalina, Moss e Chigurh são personagens de ação, mas muito pouco papo, se Chigurh é um assassino profissional, Moss por sua vez não deixa nada a desejar em suas capacidades de ações e estratégias na fuga, devido ao fato de ser veterano do Vietnã, a diferença entre ambos é que Chigurh mata a todos que entrem no seu caminho, seja os de forma direta ou indireta,  matando-os com frieza e crueldade, enquanto Moss só quer seguir sua fuga para um lugar seguro.

Desde o começo da trama já sabemos que só um destes dois personagens poderão sobreviver no fim, pelo simples fato de serem do tipo rústicos e direto, e isso não somente o leitor sabe como ambos também, afinal o livro é típico faroeste, e não sei vocês mas eu logo que penso em faroeste penso naquelas cenas de confronto cada um de um lado da rua com seu revolver, isso não acontece (esta cena exata).

Ao contrário de ambos o xerife Bell é um homem reflexivo e cordial com todo mundo, mas também muito inteligente e competente, é nele que em meio a cenas de violência e crueldade exploradas abundantemente dentro da trama, vemos um lado mais humano gentil e afável, em especial se é com relação a sua mulher, com quem tem um casamento duradouro e feliz de muitos anos.

O autor narra o livro de um jeito seco, bem pouco descritivo, e direto, seus diálogos são ao estilo Saramago; sem aspas e sem travessão. Dentro do livro está cheio de frases de efeito, quem muitas vezes podem ser sublinhas, ou tidas como ditos memoráveis, mas decidi não sublinhar livros e ler direto mesmo. No começo achei que esta linguagem fosse me causar estranhamento, mas não houve nenhum, somente achei que em certos pontos estas frases de feito e cheias de certezas dos personagens me exasperam, ainda bem que eles não seguem a linha fala muito e não faz nada.

Enfim gostaria de ter pensado mais sobre o livro e tal, mas ele tem um ar de fatalista, do tipo quando acaba não a lacunas se ficar pensando (ou seria minha preguiça que me fez pensar pouco sobre ele? …. Mistérios), o que cabe deixar claro aqui é que se você não estômago ou pique para muita testosterona é bom não ler ele, porque este é um livro de personagens rústicos, e por tabela obtusos, que estão em busca de dinheiro e não de um ideal de nobreza e etc., a exceção é o xerife Bell, mas mesmo com isso o livro consegue ser uma grande obra de arte, ou simplesmente um divertimento de alto nível ( mesmo que viesse sem isso na contracapa;  “No fundo, McCarthy é o maior escrito americano da atualidade.” Harold Bloom).

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