Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

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Racismo é um assunto do qual eu não gosto de debater ou procurar me informar melhor sobre, mas o fato de eu não o debater ou discutir não quer dizer ele não exista, pelo contrário fica claro que é um tema que precisa ser debatido, em especial nos dias de hoje quando vemos que um homem negro foi eleito presidente dos Estados Unidos, quero dizer  ele ter sido eleito foi uma vitória, isso é obvio, mas  todo mundo criou um pedestal para ele não pelo fato de ele ser presidente, e sim pelo fato de ele ser presidente e negro, algo que muitas pessoas duvidavam que um negro pudesse ser. É em momentos como este que   fica claro para mim que  o racismo precisa ser discutido, neste caso pela arte, de forma franca e lucida como a autora faz, o que não quer dizer que seu  livro se restrinja a este tema.

Americanah em suas 516 páginas conta a história de Ifemelu, uma jovem Nigeriana que deixou seu país natal para ir morar na América, para trás ficou seu namorado Obinze, sua família, seus amigos e grande parte do que até então se constitui a identidade, a única ligação que ela tem nos Estados Unidos é sua tia Uju.  Quando a história começa Ifemelu mora nos Estados Unidos a mais de dez anos, tem um blogue bem sucedido chamado Raceteenth ou Observações Diversas sobre Negros Americanos (Antigamente Conhecidos como Crioulos) Feito por Uma Negra Não Americana.

É nesta mesma América, onde agora faz sucesso, que Ifemelu desembarcou sem nenhuma perspectiva, ela encontrou dificuldade para conseguir emprego, dificuldade para se adaptar a uma cultura totalmente diferente da sua, sobretudo a personagem sofre pelo estranhamento de não conseguir compreender todas as nuances daquilo que a cerca, e pelo preconceito de ser uma mulher negra vivendo em um país cheio de preconceito. A depressão toma conta dela e faz com que ela deixe de responder as mensagens do seu namorado Obinze. Após isso ela acumula uma série de experiências que podem parecer banais, se um dos temas do livro não fosse racismo, trabalhar de baba na casa de uma família branca, ser namorada de um cara branco, que justamente por isso não consegue entender o sofrimento pelo qual ela passou.

Porém quando se fala em relacionamento não podemos ser redundantes a ponto de acreditar que se ela achar um namorado negro, que também já foi discriminado, tudo dará certo, como mostra a autora no momento em que ela arranja um namorado negro, ela se sente sufocada pelo perfeccionismo dele.

Se o racismo e sofrimento dão um tom duro ao livro o personagem de Obinze faz um contraponto a isso, nos momentos que se relaciona com Ifemelu, sem com isso alienar o romance tornando-o um livro água com açúcar. Ao contrário cria se um jogo de sombra e luz, fazendo com que o livro não tenha somente um tom.

Americanah consegue escapar de rótulos e ser amplo em tudo aquilo que aborda; imigração, preconceito racial, amor, desigualdade de gêneros, vida dos negros na américa e etc., mas para mim o livro fala de uma Ifemelu em busca da sua própria identidade, desde a adolescente que se sente deslocada com a mãe indo em várias igrejas neopentecostais, até a mulher já adulta que decide voltar da América para o seu país, por não se sentir em casa na América. É em todos estes momentos que vemos Ifemelu como um ser fragmentado que aos poucos vai juntando seus pequenos pedaços de identidade. De todas as formas Americanah consegue sérum livro incrível, seja por sua história linda e cativante, seja pela capacidade de Chimamanda de extrair beleza de um tema tão cruel quanto o preconceito.

 

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