As Frias Flores de Abril –Ismail Kadaré

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A grande maioria dos períodos da história de um país cria em sua população um imaginário popular, que muitas vezes pode ser marcado seja por costumes, pequenas lendas urbanas, ou intrigas relativas a quem está no poder, ou sobre o governo. Quando se fala em países que    tiveram ditaduras este imaginário pode ser maior ainda, já que muitas vezes ditaduras são marcadas por fatos obscurecidos e inventados sobre seus ditadores, e em contraponto a isso sempre que um ditador cai é muito grande o números de vozes que passam a surgir após aquele período, talvez por estarem se compensando do exílio de silêncio a que foram obrigados durante a ditadura.

É do período de transição na cultura de seu país que o escritor Ismail Kadaré se aproveita para escrever seu livro As Frias Flores de Abril, a história se passa no começo dos anos 2000, em uma cidade no interior da Albânia alguns anos após a queda da ditadura, mas que mesmo assim ainda tem marcas profundas deixada pela ditadura, em especial no imaginário da população. É a partir da descoberta de uma serpente que estava enterrada em estado de hibernação, que por sua vez faz com que todos se lembrem de uma lenda de uma jovem que foi prometida, em casamento, a uma serpente para salvar sua família. Nesta mesma manhã um banco é assaltado na cidadezinha.

Tudo isso aparentemente não tem ligação, mas passando por todos estes acontecimentos, mesmo que na maioria dos casos seja apenas um observador da situação em si, está o pintor Mark Gurabardhi, que também trabalha na Casa de Cultura. É ele que indiretamente reflete sobre lendas envolvendo o governo, ou lendas tradicionais do seu país e as mudanças atuais pelas quais este tem passado, como criação de comitês de defesas de homossexuais, ou mulheres que agora passaram a aderir a depilação. Ao mesmo tempo em que na trama vemos o desenvolvimento de sua história de amor, com a sua namorada (não digo o nome dela aqui, pro não lembrar, visto que o próprio autor quase não a chama pelo seu nome na obra toda).

O autor tenta se aproveitar da história da mulher que se casou com uma serpente para salvar sua família, mas durante a noite por algumas horas a serpente solta a sua pele e se transforma em homem, assim como a lenda, o autor usa esta metáfora para dar ideia do que está se passando com a Albânia, que se abre para a modernidade e novos costumes, ao mesmo tempo em que em alguns aspectos se vê presa a um imaginário já antigo.  O Grande erro dele foi ao invés de criar uma história mais sólida, ele se dedicou a criar analogias e trazer à baila temas e lendas do imaginário daquele país, criando assim muitas vezes fatos insólitos ou com ligações pouco convincente com a história de Mark, que por sua vez soa frágil, mal estruturada e chata.

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2 respostas em “As Frias Flores de Abril –Ismail Kadaré

  1. Muito boa resenha. Não consegui aceitar a importância da história da serpente para o livro.. Tudo não passa de uma colcha de retalhos mal costurada. Parabéns!

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