O Encantador: Nabokov e a Felicidade – Lila Azam Zanganeh

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Em geral todo grande leitor tem sempre o seu escritor favorito, aquele com o qual mais se identifica, seja por temas, seja pela linguagem usada, ou qualquer outro elemento que faça com que o leitor acabe se encantando com o autor, e com isso muitas vezes o leitor busca ler toda a obra, quer saber sobre e vida do autor, decora trechos preferidos dos livros, e em alguns casos até se imagina interagindo em algum momento com este autor tão querido. O que não é tão comum é que está fascinação se mostre de forma tão direta e clara e livros de ficção, na maioria das vezes a influência ou fascinação por um autor, é quase insinuada ou levemente mostrada, o que não é o caso do O Encantador: Nabokov e a Felicidade, que mostra claramente a fascinação que Nabokov exerce em Lila Azam Zanganeh.

Lila decidiu escrever este livro como uma espécie de homenagem a Vladimir Nabokov, que para ela foi o autor mais feliz que ela já conheceu mas, não somente por isso ela também escreveu sobre ele por ser um autor de livros que estiveram sempre presentes na vida dela, de várias formas, desde muito cedo, então basicamente o livro funciona como uma ode a felicidade que inspirou as obras de Nabokov, ou que estas inspiraram nela.

No começo do livro o leitor já se depara com um mapa, e a escritora deixa claro que o leitor pode escolher seguir o roteiro da mesma forma que ela, ou ler os capítulos na ordem que preferirem. Passada esta parte em todo momento me deparei com cenas da vida de Lila, que logo a seguir fazem ligações com trechos das obras de Nabokov, ou aspectos da vida dele, mas em todo caso não são ligações gratuitas, elas estão ligadas ao tipo de felicidade que será abordado naquele capítulo.

Da infância na Rússia, com a descoberta das paixões, até a mudança para os Estados Unidos, passando pelo amor as borboletas, e seu relacionamento com sua mulher,  são  alguns dos momentos da vida de Nabokov que Lila lança luz para que se possa compreender como isso refletiria em suas obras, e por consequente como estas obras influenciaram a vida de Lila, e sua forma de entender o autor, muitas vezes lendo e relendo a mesma frase de um livro dele, para tirar o máximo de compreensão e possibilidades dela.

É desta forma que Lila cria, ao longo de 296 páginas, uma espécie de álbum de recortes da felicidade nas obras de Nabokov, usando para isso obras do autor, a vida dela, e a vida dela, muitas vezes tornando a narrativa subjetiva, até mesmo ao escrever esta obra e formar um romance, que mais parece hibrido de ensaio com auto ficção e memórias, tanto dele quanto dela. Porém o que me incomoda não é este livro ter se parecer com uma álbum de colagens, mas o fato de entre uma obra tão vasta do autor, e sua vida tão fascinante a autora escolher se fixar em alguns livros ou momentos da vida dele, e menos ainda da dela, tornando assim o livro parecido com as hélices de um ventilador; se movimentam, mas somente em torno de um mesmo eixo.  Isso não quer dizer que ela não seja uma boa escritora, pelo contrário, ela é justamente por ao fundir em seu livros, tantos gêneros, fragmentos e matérias de diferentes fontes conseguir criar um livro com efeito harmônico e coerente.

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