Arranca-me a Vida – Ángeles Mastretta

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Quando eu penso na personagem Catalina Ascencio, protagonista do livro Arranca-me a Vida, é inevitável que me venha a mente, mera analogia, as primeiras damas, em especial as de cidade pequenas. Estas mulheres na maioria das vezes atuam no comando de assistência social da cidade, mesmo que já exista um funcionário concursado e devidamente preparado para isso, e dedicam os anos de mandatos dos seus maridos a assistência social e eventos, sem terem outro emprego ou função que não seja a de mulher do prefeito.

A história se passa nas décadas de 1930 em diante no México, Catalina é um jovem que namora Andrés Ascencio, um general do exército, que acaba pedindo ela em casamento, sem outras opções ela logo se casa com ele, mesmo não estando devidamente apaixonada. Logo ao longo dos anos Andrés vai consolidando sua carreira política e se torna governador, e sua mulher passa a desempenhar um papel social. Mas o livro não trata somente de política e história, nele a autora conta como foi que o General Andrés foi chegando ao poder, e sua vida tendo várias amantes.  Catalina passa então a ter que conviver de vários filhos e filhas de outras relações dele, mas ao longo dos anos o pouco amor que ela sente por ele vai se desgastando e deteriorando, quando ela descobre como é que o seu marido chegou ao poder; mandando matar pessoas, roubando e violando de várias formas os direitos alheios.

Apesar disso os dois se mantém juntos, mesmo com as inúmeras traições de ambos os lados, acredito que isso se deva pelo fato do general precisar de uma mulher para receber seus convidados e planejar suas inúmeras festas, e Catalina pelo simples fato de que se é ruim ser mulher de um político com mau caráter é bem pior ser sua inimiga.

É assim, tendo por pano de fundo a história do México que se desenvolve a trama de Arranca-me a Vida, contando ao longo de 286 páginas a relação de Catalina e Andrés, mas o livro não chega a   atingir uma boa construção histórica, apesar de não ter falhas neste aspecto. Lembrando um muitos pontos a escrita de Isabel Allende e Laura Esquível (em seus livros mornos).

Na verdade este não é um livro de grandes méritos, nem enquanto arte nem enquanto entretenimento. Ele é uma história interessante que começa bem, prendendo o leitor do começo ao fim, mas peca pelo fato de não ter grandes surpresas, e sobretudo por começar em uma forma que parecia que iria se desenvolver muito, só que não é o que acontece, o livro mostra pouco ou nenhum desenvolvimento e mudança ao longo de sua quase trezentas páginas, sendo assim morno do começo ao fim.

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3 respostas em “Arranca-me a Vida – Ángeles Mastretta

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