Carvão animal – Ana Paula Maia

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Em seu livro Carvão animal, Ana Paula Maia encerra a sua Saga dos brutos (Iniciada com as duas novelas que compõe o livro Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos), que são estórias de seres humanos comuns, marginalizados da sociedade em que vivem e cumprindo serviços que nenhuma outra pessoa costuma querer.

Desta a trama se passa dez anos antes do acontecimentos narrados no livro Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos, e os vez os personagens retratados são o bombeiro Ernesto Wesley e seu irmão Ronivon, cremador de mortos em uma funerárias da cinzenta cidade de Abalurdes, ambos vivem em uma casa com sua cadela Jocasta, que cuida do minhocário dos irmãos, para que eles vendam minhocas desidratadas e consigam uma renda a mais.

O elemento em comum que gera dinheiro emprego para os dois é o fogo, enquanto Ernesto salva vida graças a uma doença que o torna insensível, seu irmão Ronivon   crema os mortos e assim gera energia para a cidade. Cada um dos dois está encerrado dentro de si mesmo e só não vivem em completa solidão pois a de um é partilhada com o outro, mas nem tudo na vida de Ernesto é tão fácil de enfrentar quanto o fogo que não o afeta, ele se recusa a falar com o outro irmão Vladimilson, por motivos que cabe a quem ler entender.

Se no primeiro livro desta trilogia o texto era ágil e cheio de cenas inusitadas neste a autora não perde a criatividade, mas faltou aquilo que ela fez com maestria em Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos; a capacidade de encaixar   uma logo após a outra   cenas desconcertantes e   que tem como marca velocidade e fúria, fazendo assim com que Carvão animal em vários momentos fosse uma leitura um pouco mais lenta e menos dinâmica, apesar de interessante.

Mesmo isso não tira a qualidade do trabalho da autora, não sobra pontas soltas nem acontecem fatos inusitados que não estejam contextualizados de maneira exata, deixando claro assim que a autora possui uma   excelente técnica e criatividade.

Conforme se avança na leitura parece que tudo que cerca a vida dos irmãos está preste a ser tragado, seja de forma direta ou indireta pelo fogo, mas talvez esta queima seja de traços de uma vida antiga, destes brutos homens, para poder abrir espaço para pequenas mudanças.

Para quem estiver interessado em um dos dois livros que compõe a Saga dos brutos, uma boa notícia é que as histórias não estão diretamente ligadas e podem ser lidas fora de ordem ou sem que seja necessário ler a outra, ao menos para mim pode sim.

“Passaram algumas horas conversando sobre Vladimilson e rindo de como ele era desajeitado. Foi assim por toda uma tarde de verão. Em momento algum falaram de desgraças, mesmo cercados e aterrorizados por elas. As lembranças de dores eram suprimidas pelo que tinham de melhor, e o melhor que tinham era a vida, e chegará o momento em que ela deixará de existir para todos. Eles celebravam o fato de estarem vivos, mesmo sem perceberem. São eles homens que aprenderam a seguir em frente e direcionar o olhar para o foco menos miserável possível. ” (página 152)

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