A eternidade e o desejo – Inês Pedrosa

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Quando se fala em arte existe uma grande distância entre ter uma boa ideia e executar esta boa ideia, e conseguir uma obra de arte de boa qualidade e conteúdo, e é justamente neste espaço entre pensar e executar que muitas destas ideias acabam se perdendo e se tornam obras de pouca qualidade, ou pior ainda desinteressante para quem irá interagir com esta obra, seja ela um livro, um filme, ou uma pintura. A eternidade e o desejo da escritora portuguesa Inês Pedrosa é mais um que caí nesta lacuna entre um e outro.

O romance conta a história de Clara, uma jovem professora portuguesa, que ao viajar novamente para Salvador, cidade onde ela perdeu sua visão ao tentar salvar o homem que amava de levar tiros. Juntamente com ela, nesta viagem vai também o seu amigo Sebastião, que é apaixonado por ela, juntos eles vão refazer com uma excursão em grupos; os caminhos do padre Antônio Vieira, escritor pelo qual Clara nutre grande afeto e admiração.  Na mesma narrativa o leitor se depara com vários trechos dos sermões de Viera intercalado com a narrativa.

Tudo isso faz com que o livro pareça muito promissor e interessante, e para estruturar este romance Inês usa a voz dos seus personagens, mas é nesta escolha que reside um dos maiores erros da narrativa; ao dar voz aos seus personagens o que ocorre é que muitas vezes seus discursos não soam narrativos, pelo contrário parecem mais discursos e vozes de quem está em uma sala com seu analista, e para piorar, os personagens ao mesmo tempo em que vão narrando e refletindo estão em movimento por Salvador, o que faz com que está parte seja um pouco renegada, mas justamente quando a autora tenta mostrar por onde estão indo os personagens  ela soa mais como um guia turístico de Salvador, do que uma escritora narrando lugares e acontecimentos.

Outro empecilho que reside nas vozes narrativas é a execução entre o que se tem intenção de mostrar ao leitor e o que realmente consegue mostrar. Clara que devia parecer durona, mostra-se cheia de auto piedade, Sebastião que devia soar um amigo e companheiro mostra-se como uma criança, que fica fazendo birras por não ser amado por Clara e por aí vai.

São a somas destes detalhes que fazem A eternidade e o desejo, que tinha tudo para ser uma obra interessante, ser na verdade um tormento, cheio de personagens chatos e uma narrativa fraca e mirabolante, ao invés de uma história firme e bem estruturada, fazendo com que as 179 páginas que compõe o livro sejam um pequeno castigo ao leitor e não uma experiência agradável.

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