O senhor das moscas- Willian Golding

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De forma bem simplista acredito que toda distopia pode ser: uma releitura da sociedade, uma sondagem sobre como poderemos estar em um futuro ou em um momento em que estivermos vivendo num mundo com condições diferentes, ou o meu preferido; um tipo de laboratório em forma de literatura, para sondar sobre como seres humanos se transformariam em uma sociedade com condições, regras e estruturação diferentes daquelas que conhecemos.

E entre as distopias mais conhecidas, a primeira que decidi ler foi O senhor das moscas que, diga-se de passagem, ainda bem que livros digitais não pegam mofo já que este estava no meu kindle, sem ler, desde que comprei (há mais de dois anos).  Basicamente a trama do livro é o seguinte: um avião cai em uma ilha deserta e seus únicos sobreviventes são crianças e adolescentes, que acabam se reorganizando e elegendo um líder, para os guiar e proteger. O líder escolhido será Ralph, por ser o mais carismático, mas logo ele terá que competir pela liderança com Jack, que é o mais forte, e por fim temos Porquinho, que é um dos três principais por ser o mais inteligente de todos, mas ele em momento algum apresenta capacidades de liderança.

Aos poucos e por meio da necessidade é que as crianças decidiram escolher um novo líder a quem seguir, e ao contrário de Ralph e Porquinho que costumam ter uma visão mais ampla daquilo que eles precisam para sobreviver nesta ilha, Jack é oposto disso, para ele as prioridades são aquilo que existe de imediato como comer quando eles têm fome, ou se abrigar quando vem a chuva. Em meio a estas mudanças de líder e inconstância eles vão vivendo na ilha, o único traço constante é que são crianças e agem como tal, como quando ouvem barulhos vagos ficam com medo ou se animam e perdem o foco diante de cada novidade, ou sobretudo não conseguem planejar a longo prazo.

Na ilha existem poucas coisas em que as crianças podem se apegar; como os óculos de Porquinho, que proporcionam a fogueira e por sua vez pode afastar bichos e liberar fumaça que ajudaria a localizá-los, e por último a concha que é usada como um tipo de passe para quem for falar e para que só se fale um por vez.

Segundo a Wikipédia, Ralph representaria a democracia, Jack o fascismo, Porquinho a ciência e por aí vai uma visão simbólica de tudo que aparece no livro, mostrando o quanto existe de alegoria nele. E é por meio de um tom pessimista que o autor mostra o quanto a civilidade vai se perdendo durante o tempo em que estão nesta ilha, e o quanto o equilíbrio que constitui uma sociedade é frágil e pode se romper a qualquer momento

Apesar do prefácio do escritor Santiago Nazarian ser tediosa e fraca, li as 220 páginas com muito prazer, e em muitos momentos me senti exasperado, torcendo ou até mesmo assustado com aquilo que acontecia, não queria parar de ler este livro de forma alguma sem chegar ao final, este é um daqueles livros que vale muito a pena ser lido, independente de qual seja o motivo que o leve a lê-lo, espero que demore menos que eu, para se divertir e se emocionar nesta leitura.

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2 respostas em “O senhor das moscas- Willian Golding

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