Expurgo – Sofi Oksanen

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Uma coisa que eu nunca havia pensado é que   alguns países da Europa também já foram tomados ou invadidos por outros países, mas não como colônia. E este é o caso da Estônia, que em sua história recente, entre 1940 e 1991, ora foi ocupada por tropas nazistas e ora pela União soviética. Parte desta história é retratada, dentre vários outros temas, no livro Expurgo da escritora finlandesa Sofi Oksanen.

Em 1992 Aliide vive sozinha próxima a uma floresta na Estônia, quando um dia   pela manhã ela encontra em seu jardim uma jovem, do qual ela não sabe nada nem conhece. A jovem é a russa Zara, que fugiu de Berlin onde ela era uma escrava sexual, e aparentemente é um mero acaso ela ter chegado a casa de Aliide. Aliide a acolhe, e aos poucos elas vão construindo um relacionamento baseado em desconfiança mutua, enquanto Zara está preocupada com seu presente, em Aliide esta situação a fará lembrar do seu passado.

O passado de Aliide está ligado a vários momentos da história e política recente da Estônia, e justamente por isso a história contém vários “flashes backs”, que começam em 1936 até chegar ao momento presente, mostrando a história de Aliide, sua irmã e seu cunhado, cunhado este pelo qual Aliide é apaixonada e sente profunda inveja da irmã. Já no caso da Zara a história só regride um ano, em 1991 quando ela é pega em uma armadilha para garotas que querem tentar uma vida melhor, mas acabam se tornando escravas sexuais.

Uma das primeiras suposições que o leitor pode fazer é a seguinte; se esta trama tem suas raízes em 1936 e chega até o ano de 1992 ela será longa e minuciosa…. Mas esta suposição se mostra errônea Sofi Oksanen escolheu apenas destacar cenas que serão de momento importantes e decisivos para o destino dos seus personagens, nestas mesmas cenas tive vários vislumbres da história da Estônia e de uma gama de situações e ações que seus habitantes tiveram que se sujeitar para não serem perseguidos ora pelo nazismo ora pelos soviéticos.

Nestes mesmos “ flashes backs” da história do passado de Aliide se vai retornando a seu presente, para uma espécie de acerto de contas com seus erros e escolhas, e por mais que Aliide tenha sofrido fica claro que suas escolhas foram feitas de forma conscientes e impulsionadas pela inveja, egoísmo e necessidade de autopreservação, que acaba interferindo diretamente na vida de sua irmã, cunhado e sobrinha, nem mesmo o marido de Aliide Martin é poupado de suas manipulações.

Em Expurgo Sofi Oksanen consegue criar um livro ambíguo, ele pode ser um livro que o leitor lê aos poucos e vai refletindo sobre o percurso que a história vai seguindo, ou simplesmente pode sentar e desfrutar de uma boa história muito bem contada, que abre ao leitor um leque de temas que vão desde a ocupação da Estônia, até tráfico humano e escravidão sexual, e mais do que nunca se transforma em um início muito mais que válido para se conhecer a literatura da Europa oriental, que se depender de Sofi Oksanen seguirá muito bem representada, com  uma obra sólida e ao mesmo tempo bela.

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