Middlesex – Jeffrey Eugenides

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Uma coisa engraçada que aconteceu com Middlesex é que este livro se tornou conhecido por supostamente ser a história de um hermafrodita (na verdade pseudo-hermafrodita), e entre os leitores muitas pessoas começaram a correr atrás deste livro achando que a trama se baseava só nisso, e claro, são muitos os leitores que tiveram uma surpresa, pois o livro está muito mais para saga familiar do que para somente a história de um hermafrodita.

Narrado por Cal, cujo nome original é Calliope Stephanides, um hermafrodita de quarenta e um anos, que   desde quando nasceu até seus quatorze anos foi criado como uma menina, o livro   passa por três gerações de uma família grega que se mudam para os Estados Unidos, e abrange   dentro de suas 567 páginas vários importantes episódios da história do século vinte, sobretudo a dos Estados Unidos com temas como:  a guerra do Vietnã, os protestos das populações negras,  a lei seca dentre outros acontecimentos que se situam nas décadas de 50 e 60 do século vinte.

Tudo começa com os avós de Cal, que moravam em uma montanha na Grécia, próximo ao Monte Olimpo, lá Desdemoda e seu irmão Lefty acabam se apaixonando e se casando, em pouco tempo eles acabam fugindo da Guerra e embarcando em um navio para os Estados Unidos, onde uma das primas do casal os esperam. Após alguns anos Desdemoda e Lefty tem um filho, Milton, que acaba por se casar com sua prima Tessie, e é a partir desta mistura genética que acaba   sendo gerada Calliope, a segunda filha do casal (cujo primogênito se chama Capítulo doze), quando ela nasce não é diagnosticada como sendo um (a) pseudo-hermafrodita, e é criada até seus quatorze anos como uma menina, mas acabam de certa forma descobrindo que ela na verdade é um homem.

Enquanto tudo isso acontece    passamos por um panorama dos anos 50 e 60 dos Estados Unidos; a lei seca, os protestos raciais em 1967, a guerra do Vietnã, e dentro destes acontecimentos se situa a saga de uma família grega que vive na em Detroit e busca se adaptar em seu novo país e sua nacionalidade, quem mais sofre com isso é Desdemoda, seja com seus bichos da seda, com sua colher de prata, ou seu profundo medo de em algum momento a  genética trair seu segredo tão bem guardado ( o de que se casou com seu irmão).

Middlesex é um livro que apesar de seu tema inusitado, também é   muito complexo de classificar ele transita facilmente entre saga familiar, romance de formação ou sátira a sociedade. Ao longo da trama o leitor tem em mãos um romance profundamente interessante e envolvente, que vale muito a pena, independente do gênero, é um tributo a genética e as famílias gregas e suas constantes tragédias, e talvez não só a elas se considerarmos que toda família é um microcosmo de pequenas tragédias particulares, sem que caia no melodrama ou em uma narrativa apelativa.

Eu não posso comparar as duas edições que existem lançadas no Brasil, mas se fosse julgar pela capa eu prefiro muito mais a minha edição (da editora Rocco), que acho a capa muito mais bonita, e na lombada temos um Cadillac que é uma peça importante na história da família de Callie.

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4 respostas em “Middlesex – Jeffrey Eugenides

  1. “… muito complexo de classificar ele transita facilmente entre saga familiar, romance de formação ou sátira a sociedade.” É verdade…

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