Cavalos roubados – Per Petterson

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Romances de formação é um gênero que e procuro desviar, e evitar ao máximo, como opção de leitura. Em sua maioria são livros que não me atraem nem um pouco, portanto eu só decido ler se for escrito por um escritor muito renomado, ou se foi um livro que ganhou prêmios, como é o caso do livro Cavalos roubados.  Especificamente neste livro, eu acabei adquirindo ele por acreditar que seria um romance sobre a amizade, e eis que me enganei.

Aos 67 anos Trond Sander decidiu se mudar para uma região distante e remota   da Noruega, em busca da isolamento e paz, mas tudo muda quando inesperadamente ele se depara com seu vizinho Lars. Lars é irmão de Jon, que na adolescência foi o melhor amigo de Trond. Trond e Jon haviam se conhecido quando o pai de Trond e ele passavam alguns meses por ano em uma cidade que fazia fronteira da Noruega com a Suécia (a mesma cidade onde Trond passa a morar no fim da sua vida). Juntos Trond e Jon passavam suas tardes roubando cavalos, até que um acidente acaba interrompendo esta amizade.

O encontro com Lars serve como um gatilho que destravou a memória de Trond e o faz relembrar aquele que   é possivelmente o verão mais marcante da sua vida. Neste verão que ele passou junto com o seu pai, pelo qual alias ele nutre uma relação de grande amizade e admiração. E também com um outro cara, além de juntos com o pai e a mãe de Jon. Neste mesmo verão ele se auto descobre, e lembra de momentos de erotismo, crescimento mental e emocional, e outras situações que foram começando a molda-lo em quem ele se transformou.

À primeira vista Cavalos roubados é escrito para o público masculino, é só olhar de forma pouco aprofundada e poderemos constatar que ali tem vários temas masculino como a relação homem com natureza, ou homem com trabalho bruto, lembra em alguns momentos   os temas que permeiam as obras de Ernest Hemingway. Mas isso não quer dizer que não seja um livro que por isso não agradará mulheres. A propósito que fique claro, eu dizer que acho que os temas são masculinos não é dizer que eles são exclusivamente masculinos.

Uma coisa interessante na escrita de Cavalos roubados é que muitas coisas acabam ficando subtendido, ou seja, Per Petterson não sentiu uma necessidade de dizer aquilo que ele considerava obvio, tanto para ele como para quem estará lendo seu livro, e isso é uma forma interessante de vínculo com o leitor, é como se Petterson estivessem dizendo; eu não subestimarei a inteligência de vocês, e em troca eu não precisarei dizer aquilo que é obvio para nós dois.

Aquilo que mais me agradou foram as descrições da natureza e geografia de um país nórdico, que por sinal o autor consegue evocar com uma clareza e competência que se complementam de forma incrível com a capa do livro. Ao menos para mim estas partes foram as que mais gostei, já que sou muito interessado em países mais remotos.

Cavalos roubados é um livro muito bem escrito, com uma escrita contida e lucida, mas para mim o livro não foi tão atraente assim, não foi algo que me prendeu a leitura, por motivos extremamente pessoal, sem que com isso eu tenha intenção de questionar a qualidade   e competência da escrita de Per Petterson, ao contrário, acredito que com outra temática eu teria me dado muito melhor com este autor.

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