O conto do amor – Contardo Calligaris

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Muitas pessoas guiam as suas vidas em busca de respostas, e em especial é grande o número de pessoas que buscam respostas com mais afinco ainda, quando o que se está em jogo é a compreensão de questões ligadas sua própria história, ou qualquer outra coisa que as ajudem a    compreender melhor as suas identidades. E é claro que nesta segunda categoria acaba ficando subtendida a história da sua própria família; pais, mães, avôs e avós.

Em linhas gerais, eu poderia dizer que O conto do amor, primeiro romance do psicanalista Contardo Calligaris, é basicamente um livro sobre uma destas buscas; Carlo Antonini é um psicoterapeuta que vive em Nova York, um dia ao ver seu pai pela última antes de ele morrer, o seu pai acaba contando a Carlo, que em outra vida ele foi um dos ajudantes do pintor Sodoma, que pintou os afrescos do convento Monte Oliveto Maggiore, na Itália.  Doze anos após a morte do seu pai, e munido dos diários que herdou dele Carlo decide voltar a Itália, sua terra natal em busca de respostas, sobre quem realmente foi seu pai, ou em um sentindo mais amplo daquilo que seu pai quis dizer em seu leito de morte, que mensagem o pai dele queria lhe passar com tal declaração.

Carlo acaba fazendo várias viagens e seguindo em meio não só da busca por respostas sobre o passado do seu pai, mas também para entender melhor a vida e as obras de Giovanni Antonio Bazzi, mais conhecido como Sodoma, o pintor renascentista. Nesta viagem ele acaba passando por várias cidades como Siena, Florença, Monte Oliveto, Paris, Milão, dentre outros lugares.

E nestas buscas Carlo acaba conhecendo muitas pessoas, que podem ter feito parte do passado do seu pai, mas de todas as novas pessoas que ele conhece de longe a mais importante é Nicoletta, uma especialista em pinturas renascentistas, que foi criada por sua Vó Bice, uma das mais respeitadas falsificadoras e restauradoras de pinturas, da Itália do período fascista. E não é só Nicoletta que   passa a fazer parte da vida Carlo, em busca de suas respostas ele acaba conhecendo novas pessoas, que conviveram direta ou indiretamente com seu pai, muitas vezes deixando claro a grande diferença que existe entre a geração de Carlo e a de seu pai.

Durante a narrativa, que é bem curta, tem só 124 páginas, Contardo Calligaris deixa claro o quanto ele conhece e entende de artes em geral e o quanto domina técnicas de narrativas diferentes, como   usar mais de uma voz narrativa, brincar com a auto ficção, já que Contardo Calligaris também é um renomado psicanalista, e este livro surgiu da após ele herdar os diários de seu pai.

O conto do amor funciona muito bem como uma leitura de entretenimento, e neste ponto é muito divertido e bem amarrado, os problemas  dele começam  no momento em que o leitor fecha o livro, quando se fecha o livro  se percebe que as respostas de Carlo foram adquiridas  com muita facilidade, tudo se encaixa perfeitamente e  sem  nenhuma dificuldade,  e este funcionamento exato e  instantâneo é mais cabível, quando se fala em tecnologias, ou coisas mecânicas, como ao rodar   uma chave todo seu carro  começa a pegar, quando se fala  na vida, nada é tão fácil, e simples,  são poucas as coisas que se resolvem com tal grau de facilidade e o problema justamente é que na literatura se reproduz a vida, e não engrenagens, que funcionam perfeitamente, se pararmos para pensar desde a Odisseia,  a literatura narra as dificuldades da vida humana. Mas vale deixar claro que apesar desta superficialidade, como leitura de entretenimento este é um livro que vale a pena dar uma boa conferida.

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2 respostas em “O conto do amor – Contardo Calligaris

  1. Já li A mulher de vermelho. E gostei bastante. Leitura de entretenimento com uma ponta de conhecimento psicológico. Livros são como gente. Não se pode esperar deles o que não foram feitos para dar. Sei que para você assim como para mim, entretenimento é válido. Muito bem. 🙂

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