Mathilda – Mary Shelley

 

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Eu não tenho paciência alguma com livros em que os personagens centrais estão presos ao seu sofrimento, e buscam disfarçar isso com um discurso do tipo que finge analisar seu sofrimento quando na verdade isso é só uma forma de dizer que está cheio de auto piedade por si mesmo. É este o caso de Mathilda, a protagonista de uma novela que homônima e talvez isso seja um dos motivos pelo qual achei este livro profundamente cansativo.

Eu caí na besteira de pensar que já que Mary Shelley escreveu o romance Frankenstein (que ainda não li, mas é muito elogiado) as chances de ela escrever um livro ruim seriam mínimas, mas é claro, quando se trata das coisas piorarem por menor que uma chance seja quase sempre ela piora.  E, para mim, Mathilda é justamente um livro ruim, ou no mínimo bem cansativo como narrativa.

Escrito em forma de carta para um amigo, e narrado em primeira pessoa Mathilda conta a história da jovem Mathilda. Ao nascer Mathilda perde a mãe no parto, e diante desta grande perda o pai acaba a deixando aos cuidados de uma tia e viaja para a Índia e Pérsia para tentar esquecer sua dor. Mathilda, apesar de possuir pouco ou nenhum convívio social, é muito bem-educada. O pai dela acaba voltando quando ela tem dezesseis anos, e pouco tempo após a morte da tia dela, ele leva Mathilda para morar em Londres, e durante um tempo eles vivem em jantares e recepções, mas passado um certo tempo o pai passa a tentar afastar Mathilda de perto dele, posteriormente ele acaba se refugiando numa propriedade onde  ele  passa a trata-la de forma fria e  agressiva, até que em busca de respostas, ela o confronta e descobre que ele  está apaixonado por ela,  por ver nela a figura de sua mãe. Após estas descobertas eles escolhem se separar e Mathilda passa viver em uma casa no meio de um tipo de floresta. E lá ela encontra um amigo, que também tem uma história profundamente triste da qual ela houve e se compadece dele.

A própria história por trás deste livro é um bocado interessante; Mary Shelley é filha de Willian Godwin, que era um jornalista e escritor e sua mãe era Mary Wollstonecraf, conhecida por ser uma das fundadoras do feminismo. Mathilda foi escrita uma no depois de Frankenstein e Mary Shelley entregou os originais ao seu pai, mas ele nunca os devolveu, levando o livro a ser descoberto e publicado somente em 1959.

Eu achei este livro extremamente cansativo, e apesar de ler que Mathilda é uma história de uma mulher que busca amor e redenção, das culpas que foram infligidas a ela. A todo momento o tom de Mathilda me incomodou e irritou profundamente, achei forçado, cheio de auto piedade disfarçada em uma trama onde sobra sofrimentos e falta lucidez em todos os personagens, que por sua vez todos tem discursos eloquentes (e quando a eloquência é usada para narrar os martírios da vida, este discurso   com grandes chances, será algo tedioso), para mim somado a tudo isso o ritmo sempre arrastado da trama, este livro foi uma perca de tempo.  Uma pena, já que a edição da editora Grua, é um trabalho muito bem feito.

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2 respostas em “Mathilda – Mary Shelley

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