A Máquina de fazer espanhóis – Valter Hugo Mãe

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Eu poderia afirmar que a decisão do autor de escrever um livro sem usar letras maiúsculas foi um fator que durante a leitura me cansou muito e por isso não gostei do livro tanto quanto devia. Poderia, mas não direi isso, este é um daqueles casos de livro em que abri, e fui lendo de forma arrastada até chegar ao fim, e quando o fechei, soube que não gostei.  Isso não quer dizer que eu não tenha entendido o livro ou estivesse no momento errado para lê-lo, quer dizer simplesmente que eu abri um livro li, e ele não me surpreendeu, divertiu ou me interessou tanto a ponto de eu acreditar que este seja um bom livro.

Em A máquina de fazer espanhóis somos apresentados ao senhor Silva, com 84 anos, e 48 anos de casado, ele repentinamente fica viúvo, e como era de se esperar ele sofre muito com a perda, afinal ele sempre desejou morrer junto com sua mulher, ou ao menos que ele morresse antes dela. Os filhos dele então decidem por interná-lo em um asilo para idosos. Lá o senhor Silva passa a ignorar e evita interagir com os outros hóspedes, e ainda se mantém amargo e melancólico, fazendo observações cáusticas sobre o envelhecimento.

De todos os internos do asilo o mais famoso é o Esteves, que além de ter quase cem anos, os outros internos afirmam que ele é o homem sem metafísica que aparece no poema Tabacaria de Fernando Pessoa. É depois de conhecer o Esteves é que aos poucos o senhor Silva passa a interagir com os outros internos e criar algumas amizades e de certa forma redescobrir a graça de viver.

Das coisas que me irritaram e fizeram a leitura de A máquina de fazer espanhóis ser um livro que eu não gostei: a primeira foi o fato do autor usar uma pontuação toda própria, em especial tirar as maiúsculas, tornou visualmente cansativo a leitura. Segundo, a necessidade do autor de em vários momentos se desviar da trama no presente para narrar sobre política e história de Portugal (não me interesso muito por política, história e guerra dentro de literatura).  E por último o tom que Valter Hugo Mãe usa, muitas vezes um tom que mais parece de quem está interessado em passar ensinamentos, do que em quem está interessado em escrever ficção, apesar de ser inegável que quando ele quer escrever cenas de ficção elas podem ser muito interessantes.

A máquina de fazer espanhóis é um daqueles livros de que a maioria das pessoas que conheço leu e gostou, mas comigo não aconteceu isso, eu li achei um livro mediano em alguns momentos e em outros achei um livro chato e cansativo. Espero fazer as pazes com o autor, já que ainda tenho alguns livros dele aqui para ler.

 

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Uma resposta em “A Máquina de fazer espanhóis – Valter Hugo Mãe

  1. Se você não gosta das letras minúsculas, não vai gostar de Saramago, pois ele foi o percursor de escrever em letras minúsculas e uma pontuação peculiar em seus livros. Acredito que política e história fazem parte da literatura, o que torna o livro mais interessante pra mim. Amei como o autor fala da velhice, e é assim mesmo, os velhos são deixados pra trás, como se não tivessem vivido uma vida e com essa vida, carregam consigo toda a experiência que os jovens pensam que sabe, e nada sabem. O que mais admiro no autor é o fato de seu pai ter morrido cedo, e ele descrever a velhice com tanta propriedade e sensibilidade.

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