Berenice procura – Luiz Alfredo Garcia-Roza

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Quando eu decidi ler Berenice procura, já imaginava que não seria um livro policial do estilo convencional; onde acontece muita ação e um final surpreendente. Afinal este não é o estilo do escritor carioca Luiz Alfredo Garcia-Roza, que apesar de escrever ótimos livros não é um escritor que dá todas as respostas ou desfecho de forma lógica e normal, mas mesmo assim eu decidi ler, e quando cheguei ao final à única coisa que eu pensei foi “hum, agora qual o próximo livro que vou ler”.

O filho de um diplomata brinca na areia com sua pá de plástico e repentinamente descobre enterrado o corpo de um travesti. Próximo ao local onde o corpo foi descoberto é o ponto de táxi onde trabalha Berenice, uma mulher de 34 anos divorciada, e que sustenta a casa onde mora junto com sua mãe e seu filho.  Ela é ex-mulher de Domingos um jornalista policial que faz trabalhos temporários, e que inconvenientemente tenta sempre se reaproximar de Berenice.

Outro personagem   no livro é Russo, um morador de rua que cresceu próximo ao local onde é descoberto o corpo de Valéria (o travesti, assassinado), e que sem querer acabou testemunhando o assassinato. Russo é conhecido entre os outros moradores de rua e travestis por sua aparência de cabelos ruivos e seu estilo que lembra muito mais um turista estrangeiro do que um morador de rua.

Entre uma corrida de táxi e outra Berenice tenta descobrir mais informações sobre o que realmente aconteceu com Valéria (e posteriormente uma criança de rua que também testemunhou o assassinato de Valéria, e assim como o travesti também morreu de forma bem suspeita.). E com a desculpa de passar informações sobre o crime, Domingos acaba se reaproximando da ex-mulher novamente. Posteriormente os caminhos de Russo e Berenice acabam se cruzando (como é inevitável).

O que deixou muita gente insatisfeita após ter lido Berenice procura, foi o seu final inconclusivo, e é engraçado, pois para mim isso surpreendeu bem mais do que irritou, e isso que é o mais interessante; a vida não te dá todas as respostas de forma exata e clara, porque então a literatura deveria dar? E confesso também que o fato de leitores de livros policiais não saberem formular teorias ou suposições é muito engraçado. Mas o final não salva Berenice procura de ser um romance ruim.

Por último eu gostaria de ressaltar o que me fez ler o livro, mesmo tendo uma clara noção de que este não seria um livro do qual eu gostaria. O que me fez abrir este livro para ler foi o seu autor Luiz Alfredo Garcia-Roza, que com seu personagem inspetor Espinosa, já demonstrou ser capaz de escrever grandes obras do gênero policial. Neste livro inclusive o leitor pode se deparar com detalhes originais e até mesmo bem escrito, mas o problema está aí, somente os detalhes são bem escritos, o livro como um todo não empolga, nem distrai.

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